Monday, July 06, 2009
Wednesday, July 01, 2009
Pina Bausch 1940-2009

Creio que era verão.Pelo menos sol havia.O tempo era aproveitado em deambulações, leitura, cinema, conversa e tudo o mais. Uma visita,comum, à Fundação Calouste Gulbenkian , eis que à entrada a figura esquia, nívea, que dias antes havia permanecido no palco no intervalo do espectáculo, ali estava à minha frente.Num impulso, ali mesmo, fiz o pedido improvável de um autógrafo. Do autógrafo pouco sei. A imagem e os espectáculos que fui acompanhando de Pina Bausch estão para sempre. Com ela, Anne Teresa de Keersmaeker, Olga Roriz, Marina Abramovic e tantos outros, aprendi muito do corpo, do ser e do movimento. Agora, surpreendido, a dança, resume-se ao movimento interior, com as ausências.
Tuesday, June 30, 2009
“Há ocasiões em que temos de romper com os nossos amigos a fim de compreendermos o significado da amizade. Pode parecer estranho que o diga, mas a descoberta desse livro equivaleu à descoberta de uma arma, de uma ferramenta com a qual se me tornava possível ceifar todos os amigos que me rodeavam e que já não significavam nada para mim. Esse livro tornou-se meu amigo porque me ensinou que eu não tinha necessidade nenhuma de amigos. Deu-me a coragem de ficar só, e permitiu-me apreciar a solidão. Nunca compreendi o livro; houve ocasiões em que me pareceu estar à beira da compreensão, mas nunca o compreendi, verdadeiramente. Foi mais importante para mim não compreender. Com esse livro nas mãos, lendo alto para os meus amigos, interrogando-os, explicando-lhe, foi-me dado compreender claramente que não tinha amigos, que estava só no mundo. Pelo facto de nem eu nem os meus amigos compreendermos o significado das palavras, uma coisa se tornou muito clara: há maneiras de não compreender, e a diferença entre o não compreender de um indivíduo e o não compreender de outra cria um mundo de terra firme ainda mais sólido do que as diferenças de compreensão. Tudo quanto outrora julgara ter compreendido ruiu e pude partir do zero. Os meus amigos, pelo seu lado, entrincheiraram-se mais solidamente na pequena vala de compreensão que tinham escavado para si próprios. Morreram confortavelmente no seu leitozinho de compreensão, para se tornarem úteis cidadãos do mundo. Lamentei-os e, a breve trecho, abandonei-os um após outro, sem o mínimo de desgosto.”
Henry Miller fala de um Livro de Bergson "A Evolução Criadora" in Trópico de Capricórnio
Friday, June 26, 2009
Tuesday, June 23, 2009
(In)cumplicidades
Vamos lá votar.Tu num eu no outro? É secreto. Mais um segredo. Aprendemos tão bem a guardar segredos. Claro que podiamos dizer um ao outro em quem votamos. Era só entre nós. Ainda temos coisas só nossas...vamos fingir que somos cúmplices. Escolhemos uma "francha" qualquer. Daquelas que sabemos que vai perder e vai querer cantar victória. Vamo-nos rir a ver como "cozinham" o nosso voto. Ou vamo-nos rir um do outro?
